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TDAH ( Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade ): Sintomas, Diagnóstico e Tratamento

O Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é um transtorno do neurodesenvolvimento caracterizado por sintomas persistentes de desatenção, hiperatividade e impulsividade que causam prejuízos significativos na vida acadêmica, profissional, social e familiar.

Embora seja frequentemente diagnosticado durante a infância, o TDAH pode persistir até a adolescência e a vida adulta. Atualmente, sabe-se que milhões de adultos convivem com o transtorno, muitas vezes sem diagnóstico.

O TDAH não é falta de inteligência, preguiça ou falta de disciplina. Trata-se de uma condição médica reconhecida internacionalmente, com importantes bases genéticas e neurobiológicas.

 

Quais são os sintomas do TDAH?

Os sintomas variam conforme a idade e a apresentação clínica.

Os principais sintomas incluem:

  • dificuldade para manter a atenção;

  • distração frequente;

  • esquecimentos constantes;

  • dificuldade para organizar tarefas;

  • dificuldade para concluir atividades;

  • sensação de mente acelerada;

  • inquietação;

  • impulsividade;

  • dificuldade para esperar sua vez;

  • dificuldade para permanecer sentado;

  • tendência a interromper outras pessoas;

  • procrastinação;

  • perda frequente de objetos;

  • dificuldade para administrar o tempo.

 

Em adultos, a hiperatividade costuma ser menos evidente, sendo comum a sensação de inquietação interna.

 

Quais são os tipos de TDAH?

O DSM-5-TR descreve três apresentações do transtorno.

 

TDAH Predominantemente Desatento

Caracteriza-se principalmente por:

  • dificuldade de concentração;

  • esquecimentos;

  • desorganização;

  • distração;

  • dificuldade para finalizar tarefas.

 

É mais comum em mulheres e frequentemente passa despercebido durante a infância.

 

TDAH Predominantemente Hiperativo-Impulsivo

Predominam sintomas como:

  • inquietação;

  • impulsividade;

  • dificuldade para permanecer parado;

  • falar excessivamente;

  • interromper conversas;

  • agir sem pensar.

 

TDAH Apresentação Combinada

É a forma mais frequente.

O paciente apresenta sintomas tanto de desatenção quanto de hiperatividade e impulsividade.

 

Quais são as causas do TDAH?

O TDAH resulta da interação entre fatores genéticos e ambientais.

 

Genética

A hereditariedade representa um dos principais fatores de risco.

Filhos de pessoas com TDAH apresentam maior probabilidade de desenvolver o transtorno.

 

Funcionamento cerebral

Estudos mostram diferenças no funcionamento de regiões relacionadas à atenção, planejamento, controle inibitório e funções executivas.

Também existem alterações envolvendo neurotransmissores como:

  • dopamina;

  • noradrenalina.

 

Fatores ambientais

Alguns fatores podem aumentar o risco, como:

  • prematuridade;

  • baixo peso ao nascer;

  • exposição ao tabagismo durante a gestação;

  • consumo excessivo de álcool durante a gravidez;

  • algumas complicações obstétricas.

 

Esses fatores não são causas isoladas, mas podem contribuir para o desenvolvimento do transtorno.

 

Quais são os sintomas do TDAH em adultos?

O TDAH no adulto pode se manifestar de forma diferente da infância.

Entre os sintomas mais comuns estão:

  • dificuldade para manter o foco;

  • esquecer compromissos;

  • atrasos frequentes;

  • procrastinação;

  • dificuldade para administrar o tempo;

  • iniciar muitos projetos sem concluí-los;

  • impulsividade financeira;

  • dificuldade para manter organização;

  • dificuldade em relacionamentos;

  • baixa produtividade;

  • dificuldade para manter atenção em reuniões;

  • sensação constante de sobrecarga mental.

 

Muitos adultos recebem o diagnóstico apenas após anos de dificuldades profissionais ou acadêmicas.

 

Como é feito o diagnóstico do TDAH?

O diagnóstico é essencialmente clínico e deve ser realizado por um psiquiatra experiente no transtorno.

A avaliação inclui:

  • entrevista clínica detalhada;

  • histórico desde a infância;

  • sintomas atuais;

  • prejuízo funcional;

  • histórico familiar;

  • avaliação de outras doenças psiquiátricas.

 

Em alguns casos podem ser utilizados:

  • escalas clínicas;

  • entrevistas estruturadas;

  • informações de familiares;

  • avaliação neuropsicológica (quando indicada).

 

Não existe exame de sangue, tomografia ou ressonância que confirme o diagnóstico.

 

TDAH tem cura?

O TDAH é considerado um transtorno crônico do neurodesenvolvimento.

Entretanto, possui tratamento eficaz.

Com acompanhamento adequado, a maioria dos pacientes apresenta melhora significativa da atenção, organização, produtividade e qualidade de vida.

 

Como é feito o tratamento do TDAH?

O tratamento deve ser individualizado.

Na maioria dos casos envolve a combinação de medicamentos, psicoeducação e estratégias comportamentais.

 

Medicamentos para TDAH

Os medicamentos são considerados uma das formas mais eficazes de tratamento.

Entre os principais estão:

 

Psicoestimulantes

  • Metilfenidato ( Ritalina );

  • Lisdexanfetamina ( Venvanse ).

São considerados tratamento de primeira linha para grande parte dos pacientes.

 

Medicamentos não estimulantes

Podem ser indicados em situações específicas.

Exemplos incluem:

  • Atomoxetina;

  • Bupropiona (em alguns casos);

  • Clonidina;

  • Guanfacina (quando disponível).

A escolha depende das características individuais de cada paciente e deve ser realizada por um psiquiatra.

 

Psicoterapia

A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) apresenta bons resultados principalmente em adultos.

Ela auxilia no desenvolvimento de:

  • organização;

  • planejamento;

  • manejo da procrastinação;

  • controle da impulsividade;

  • estratégias para rotina.

 

Mudanças no estilo de vida

Também podem contribuir:

  • prática regular de atividade física;

  • sono adequado;

  • rotina estruturada;

  • uso de agendas e aplicativos;

  • redução de distrações ambientais.

 

Quais doenças podem estar associadas ao TDAH?

É comum o TDAH ocorrer junto com outros transtornos psiquiátricos, como:

  • Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG);

  • Depressão;

  • Transtorno Bipolar;

  • Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC);

  • Transtornos relacionados ao uso de substâncias;

  • Transtornos do sono.

 

Por isso, uma avaliação psiquiátrica completa é fundamental.

 

Quando procurar um psiquiatra?

É recomendável procurar um psiquiatra quando houver:

  • dificuldade persistente de concentração;

  • procrastinação excessiva;

  • desorganização importante;

  • impulsividade frequente;

  • prejuízo profissional;

  • baixo rendimento escolar;

  • dificuldade para concluir tarefas;

  • suspeita de TDAH na infância ou na vida adulta.

 

O diagnóstico precoce permite iniciar estratégias que melhoram significativamente a qualidade de vida.

 

Perguntas frequentes sobre TDAH

 

TDAH é uma doença?

O TDAH é um transtorno do neurodesenvolvimento reconhecido internacionalmente pelas principais classificações médicas, incluindo o DSM-5-TR e a CID-11.

 

Adultos podem ter TDAH?

Sim.

Muitos adultos convivem com o transtorno desde a infância, mas só recebem o diagnóstico anos depois.

 

Quem tem TDAH é inteligente?

Sim.

O TDAH não está relacionado ao nível de inteligência.

Pessoas com TDAH podem apresentar desempenho acadêmico e profissional elevado quando recebem tratamento adequado.

 

TDAH pode causar ansiedade?

O TDAH não causa necessariamente ansiedade, mas ambos frequentemente ocorrem juntos.

Além disso, as dificuldades decorrentes do transtorno podem favorecer o desenvolvimento de sintomas ansiosos.

 

Qual médico trata o TDAH?

O especialista mais indicado é o psiquiatra, responsável pelo diagnóstico, tratamento medicamentoso e acompanhamento clínico.

 

Conclusão

O Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é uma condição frequente que pode afetar crianças, adolescentes e adultos. Quando não tratado, pode causar dificuldades acadêmicas, profissionais e nos relacionamentos.

Felizmente, existem tratamentos eficazes que incluem medicamentos, psicoterapia e estratégias de organização. Com diagnóstico precoce e acompanhamento adequado por um psiquiatra, a maioria dos pacientes consegue melhorar significativamente sua qualidade de vida e seu desempenho nas atividades diárias.

 

Referências bibliográficas

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